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Como Compor uma Música (As 7 Regras de Ouro)

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Como Compor uma música. (As 7 Regras de Ouro)

Então você quer aprender a compor uma música?

Super empolgado, você pega o violão, se senta e pega um caderno para compor uma música.
Resultado: não sai nada.

Você já passou por isso?

Não se preocupe. Todos os compositores já passaram por essa situação.

Neste artigo vou te ensinar  a como compor uma música através de simples, mas poderosas 7 regras de ouro.

Ah, e eu aposto que a regra de ouro #6 irá surpreender você. Por quê?
Bom, ela é ignorada pela maioria dos músicos! E sim, ela faz toda a diferença.

Preparado? Então continue lendo esse artigo e conheça as 7 regras de ouro abaixo:

  1. Definindo o tema
  2. Qual é o propósito da música
  3. Cantarolando a melodia
  4. Vestindo a melodia com a letra
  5. Acertando na pegada
  6. Deixe descansar
  7. Refine a obra

REGRA DE OURO NÚMERO #1: DEFININDO O TEMA

Sempre digo que música é tema é árvore sem raíz.

Você precisa saber sobre o quê vai escrever para depois escrever algo sobre isso. É lógico, não?

O tema é a idéia central de sua canção e é ele que vai ditar todo seu processo de criação.

Apesar de aconselhar você a ter um tema para começar, reconheço que há artistas que começam uma música sem uma tema mente.

Ou seja, eles não sabem ao certo para onde estão indo. Eles só entram no carro e veem onde essa viagem vai dar.

Essa é um ma possibilidade também, mas se você estiver começando, sugiro começar com uma tema claro em mente 🙂

Por quê definir o tema é crucial?

O tema é a alma da música. Se a alma da canção for carregada de dor, então isso tem que refletir na música.

Se a alma estiver leve, cheia de esperança, então sua canção vai seguir essa mesma linha.

Dicas para definir o tema de sua canção:

  1. Se você já tiver um riff ou parte da músicaSe você tem um riff de violão estilo rock, super pra cima, então pode criar um tema leve, super pra cima.
  2. Se você só tiver a letra da música: ai é fácil.Suponha que sua letra fala de um rapaz que perdeu tudo na vida e está sem esperança. Como você acha que seu tema será? E suponhamos agora que sua letra fala de um uma garota que quer curtir a vida? Viu como seu tema é completamente diferente? O clima mudou completamente! Simples assim. O tema deve ser compatível com a letra.Repito, fica incoerente ter uma letra ultra alegre, daquelas que brilha no escuro e vesti-la de luto com acordes menores super deprê. Não rola.
  3. Se você tiver a melodia da música e mais nada: essa pode ser mais desafiadora.Lembrando que a melodia é a parte cantada da música. Você pode ter melodia sem letra, ou seja, você consegue “cantarolar” a melodia, mas ainda não tem letra.Bom, se você tiver a melodia, ou parte dela e mais nada, eu creio que mesmo assim dá para sentir se essa melodia é mais “pra frente” ou mais “pra trás.”Entrando numa análise mais técnica, que pode requerer mais conhecimento, pode-se também definir se a melodia será em um tom maior ou menor.

    Via de regra, no tom maior, as canções são mais alegres. Já no no menor, são mais tristes.

  4. E se você não tiver nada? Bom, aí uma dica seria tentar decidir sobre o quê você quer escrever. Se não souber, tente descobrir por qual o motivo você quer escrever uma música? É para impressionar uma gatinha? É para tocar as pessoas? É para chocar? É para fazer as pessoas refletirem em alguma causa? É para fazer com que as pessoas se conectem com Deus? Após definir isso, fica mais fácil decidir seu tema. Esse é o primeiro passo para compor uma música.
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#2: O PROPÓSITO DA MÚSICA

Isso pode parecer frescurite ou querer ser profissional demais, mas não é. Não é puro capricho. É essencial!

Veja, já temos o tema da música, ou seja, a alma. O clima da música.

Vamos trabalhar com um exemplo fictício. Isso sempre ajuda.

Suponhamos que você tenha uma música leve, com o tema leve.

Independente se você tem somente melodia ou letra ou as as duas, deve-se perguntar: Essa música serve pra quê? Qual o efeito que eu quero que ela cause?

Veja, o tema se “auto define” baseado na melodia, ou letra, ou riff que você tem.

Já o propósito, é você que define baseado no tema que você tem. Para ser ainda mais claro, façamos uma analogia.

Analogia do bebê

Ao bebê nascer, você olha para a criança e vê se é mais “clarinho” ou “escurinho.”

Se for clarinho, com a pele clarinha, será branco. Se for mais escurinha, de pele negra, será negro.

Então o pigmento da pele define sua cor. Correto? O mesmo acontece com o tema.

A melodia/ letra/ riff define o tema, ou seja, a alma da música.

Ainda nesta analogia, o propósito é diferente. Com o bebê em casa, já com alguns meses, você já sabe que é um menino e é branco.

Você olha para ele e se pergunta: Eu quero que essa criança faça o quê? seja o quê na vida?

Eu quero que ele seja um ótimo cidadão. Quero que ele seja íntegro e honesto!

Pronto. Isso é o propósito da música. Você já tem o tema (clima) nas mãos.

Aí você define pra quê essa música vai servir. Fui claro? Espero que sim.

Vamos agora para a melodia.

#3: CANTAROLANDO A MELODIA

A melodia é a parte cantada da música. São várias notas ligadas que compõe sua linha melódica.

Então pense que sempre que você escutar uma música, aquilo que você consegue reproduzir dela assobiando é a melodia.

Você consegue assobiar a letra? Não.

Consegue assobiar a bateria? Não, porque isso é ritmo.

Consegue assobiar o som que o cantor está cantando? Sim! Essa é a melodia.

Se a canção tiver MAIS de uma melodia, ou seja, uma segunda voz, aí temos a melodia principal (1ª voz) e a melodia secundária (2ª ou até 3ª voz).

Criar a melodia da música é algo intangível, logo não é tão simples explicar, ou aprender.

A maioria esmagadora dos compositores criam suas melodias cantarolando.

Eles pegam um instrumento (geralmente violão ou piano), tocam algo por repetidas vezes e ficam cantarolam em cima até terem algo mais sólido que eles gostem.

Começando com a Letra

O que é cantarolar?

Cantarolar é você emitir sons sem muito sentido. Na verdade sem sentido algum.

Você emite sons de vogais só para materializar a melodia. Essa é a melodia. Tem gente que cria melodia sem instrumento nenhum, mas a maioria precisa de um instrumento.

Um segredo para criar melodia

Uma coisa que pode travar qualquer um de criar uma melodia é a preocupação em ter que ficar bom de primeira. Isso se chama auto-crítica.

Esse sentimento pode ser uma mescla entre o perfeccionismo e a vergonha.

Isso é algo que acontecia (e ainda acontece) comigo.

Na hora de compor uma música, você fica tentando criar a melodia mas no fundo está preocupado em acertar logo, senão vai ficar feio, senão os outros não vão gostar, etc. Isso é um perigo!

Tenha calma. A melodia ainda está sendo criada. Não se apresse. É crucial você cantarolar sem nenhum compromisso.

Faça isso de forma descontraída. Sem se importar muito, entende?

Deve-se criar a melodia da música inteira?

Não necessariamente. Na minha opinião, isso é raro. É mais comum você conseguir concretizar a melodia da estrofe, por exemplo, ou do coro (parte principal).

Se você conseguir criar a melodia da estrofe, ótimo. Aí você vai usar a mesma melodia para as outras estrofes.

Você pode (e deve) fazer mínimas alterações na melodia das outras estrofes mas a essência dela é a mesma.

Mas às vezes o que vem primeiro é a melodia do coro. Se isso acontecer, grave-o no celular para não esquecer!

Depois você irá escutá-la de novo e aí então você poderá desenvolver o restante da música.

A melodia talvez seja a parte mais misteriosa da composição. Quando digo misteriosa, quero dizer que é a parte menos “científica.”

Ou seja, é preciso tentar e errar, seguir a intuição, ser afinado, conhecer a escala, etc.

Pode-se criar a melodia mesmo não tendo todas essas qualidades, mas com certeza elas ajudam.

Como Compor Sua Musica

De onde vem a melodia?

Às vezes ela aparece do nada. Sem menos esperar. Pode ser no chuveiro. Pode ser na rua. Pode ser com a viola na mão. Às vezes a letra “vem” junto. Às vezes não.

Depois que a canção está pronta, você escuta e diz: “Que melodia linda!”

E começa a cantar junto e vai pra casa assobiando a música. Aï você se pergunta: “Como eu não criei isso antes?”

Na hora de compor uma músca, eu gosto de imaginar a melodia como nuvens que estão a um metro em cima de nossas cabeças.

Mas elas são invisíveis. Alguns de nós conseguimos meter a mão lá e puxar a melodia pra baixo.

Uma vez que sai da nuvem, vira realidade. Vira “real.”

Quando você cria a melodia, pense comigo, ela não existia. Era algo invisível, inexistente, abstrato, “gasoso.”

Ao criar a melodia, você acabou de trazer algo do mundo invisível e agora, uma vez em nosso mundo visível, se pode tocar, é matéria., tem som e é “sólido.” Muito louco isso, né?

Então talvez a sacada desta analogia é quanto mais você explora e cria música, mais chances você tem de materializar essas melodias. E melhor você fica, é claro.

Já diz o provérbio popular: a prática leva à perfeição.

Leia também: O QUE VEM PRIMEIRO: LETRA OU MÚSICA?

#4: VESTINDO A MELODIA COM LETRA

Inserir a letra da música novamente percepção.

Um parêntese: você tem que saber o tipo de compositor você é.

Os 2 perfils de compositores

Generalizando, existem dois perfis de compositores: o pragmático e o filósofo.

O pragmático escreve sem meias palavras. As circunstâncias têm nomes; as coisas são concretas; o sentido da letra está clara no papel.

O pragmático não gasta uma eternidade pensando no sentido das coisas, não se incomoda tanto em buscar sinônimos/ antônimos para enriquecer sua letra, não se sente muito preocupado em como as pessoas vão interpretar sua obra.

Pragmáticos são mais comuns nos seguintes estilos musicais: sertanejo, forró, rap, (entre outros).

Já o filósofo (onde eu me enquadro) é quem escreve com mais riqueza e domínio da língua portuguesa explorando conceitos com subjetividade e abstração.

É comum para o filósofo expor sua visão de mundo e suas emoções através de analogias e outros recursos linguísticos.

Filósofos são mais comuns nos seguintes estilos musicais: mpb, jazz, rock (entre outros).

Descobrindo que tipo de compositor você é

Simples. Se você tende a escrever sobre coisas mais literais e concretas como festa, namoro, você se enquadra no grupo do pragmático.

Agora se você tem mais facilidade em escrever sobre conceitos mais abstratos (dor, esperança, amor, etc.), você é mais filósofo.

É óbvio que cada pessoa é um pouco dos dois, mas todos tendemos a ser mais um que o outro. Devemos saber tirar proveito disso 🙂

#5: ACERTANDO NA “PEGADA”

Agora que você já tem seu tema + propósito + melodia + letra, o que pode estar faltando para compor uma música?

Bom, tem mais um recurso que podemos abordar (entre outros). Agora vamos acertar a “pegada” da música.

Isso é bem simples, na verdade. Vou te dar um exemplo prático. O Nirvana lança uma música.

Depois de um tempo, eles fazem a versão acústica da música. Concorda que a pegada é diferente?

Eu posso tocar uma mesma música em um estilo mais sussegado ou escolher uma pegada mais pesada, cheio de ritmo, com uma sonoridade mais saturada.

Isso serve tanto para músicas tocadas por banda quanto para aquelas tocadas por um músico só.

Só um parêntese: não estamos falando de estilo musical aqui. É lógico que um artista pode gravar uma música estilo rock e relançar a mesma música anos mais tarde em um estilo jazz, por exemplo. Mas não é isso que estou falando. Estamos falando de PEGADA.

Resumindo de forma simples: eu posso ter a mesma música no mesmo estilo (rock, por ex.), sendo tocada com pegadas diferentes. Ficou claro?

#6: DEXE DESCANSAR

Essa aqui parece boba. Mas não é. É super importante. Absurdamente importante.

Depois que escrever a música, feche o caderno (ou computador) e deixe descansar. Vá refrescar a cabeça.

Na pressa de compor uma música, às vezes podemos pular essa etapa.

O ideal é que você só retorne à canção, no mínimo, uns 2 dias depois. Você vai ver o que vai acontecer.

Quando escutar sua música novamente (se você a gravou, lógico), de duas uma: ou você vai ver que a música não era lá grandes coisas ou você vai dar aquele tapinha nas costas e dizer “Eu sou bom  mesmo!”

Se você não curtir mesmo a música, você pode arquivá-la.

Se você curtir a canção, ótimo! Agora podemos avançar para o último passo: refinar a sua obra.

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#7: REFINE A OBRA

Chegamos ao último passo! Ufa!

Este passo é quando nós embelezamos a música. É hora de rever a melodia e a letra. É hora de refinar sua obra.

 

Refinando a melodia

Neste momento, você deve analisar todas as frases (de melodia) que há na música.

Será que há algum tipo de mudança que você possa fazer nessas melodias?

Às vezes, ao mudar uma nota ou outra, temos um resultado surpreendente.

 

Refinando a letra

Aqui, é essencial que você reveja o sentido da letra. É isso mesmo que você quer?

Lembre-se do tema: não adianta ter uma música de festa, com ritmo pulsante e acordes maiores se a letra é super deprê.

Outro ponto essencial: reveja o nosso bendito Português. Procure primeiramente por erros.

Leia com atenção. Mostre a um amigo ou a algum parente. Um dos erros mais comuns que percebo ao compor uma música é a discordância entre o sujeito e verbo. Vejamos um exemplo:

Frase 1 (errada): “Você gosta de mim. Então venha para mais perto.”

Viu o erro? Não? Rs.

Frase 2 (correta): “Você gosta de mim. Então vem para mais perto” OU “Tu gostas de mim. Então venha para mais perto.”

Na frase 1, estamos utilizando o pronome você. Correto?

Pela regra gramatical, quando estamos no imperativo (dando ordens, neste caso, “venha”), devemos concordar este verbo com “você”. Então a conjugação correta é:

– vem 
tu
– venha ele (o “você” se equipara a ele)
– venhamos nós
– vinde vós
– venham eles

Então note que na frase 1, estamos alternando entre o pronome tu e você. Está errado. Ou é um ou é outro. Ok?

Se stivermos usando o pronome “você”, o veredito final é VEM e não VENHA.

Outra possibilidade é você ao invés de priorizar o verbo, pode mudar o sujeito de “você” para “tu”, aí o verbo fica VENHA e não VEM 🙂

Este é só um exemplo. Existem inúmeros outros mas este talvez seja um dos mais comuns.

CONCLUSÃO

Como diria Thomas Edson, “Talento é 1% de inspiração e 99% de transpiração”. É isso mesmo. A inspiração é importante.

Mas se não soubermos refinar essa inspiração, podemos ter um resultado não satisfatório na hora de compor uma música.

Você consegue!

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